O Contínuo começou na universidade. Já contamos várias vezes esta história: em um determinado momento da faculdade, decidimos fazer o que REALMENTE queríamos, da maneira que achávamos melhor.
O tempo passou, pessoas entraram e saíram do grupo, mas a vontade de experimentar coisas novas com quadrinhos, do nosso jeito, nunca diminuiu.
Na semana passada nosso amigo Adriano Adoryan nos convidou para uma série de palestras na Universidade Anhembi Morumbi. O intuito era apresentar nosso processo criativo para o pessoal de Rádio e Televisão e, para nós, foi uma experiência rica em todos os sentidos.
O processo de criação dos quadrinhos é muito próximo ao do cinema e usamos jargões parecidos para descrever cenas - "planos americanos", "zoom", formato "widescreen", entre outros. A plataforma final pode ser diferente, mas o trabalho duro de pesquisa e estudos de ângulos é bastante semelhante.
Acredito que a parte mais importante (além de uma ótima idéia para desenvolver) é o trabalho de pré-produção. Esta é a hora de testar as ideias, juntar referências e, mesmo que você gaste um bom tempo nesta etapa, estará tornando o processo de criação mais ágil.
Uma pré-produção bem feita diminui consideravelmente as chances de erros e de retrabalho, além de evidenciar uma das questões mais importantes sobre criação: a ESCOLHA.
Quando não existe uma pesquisa aprofundada, quando não há uma "imersão" por parte do autor no tema que ele escolheu desenvolver, há uma probabilidade enorme de que sua criação não passe nem perto de sua idéia original.
Acredito que em qualquer trabalho criativo é importante ter consciência das escolhas e usá-las para enriquecer a obra. A técnica e o estilo devem ser uma escolha e nunca um acidente ou limitação.
Em um trabalho de quadrinhos ou cinema, sempre contamos com o leitor ou telespectador para completar a história. Ele faz parte deste "jogo" e suas referências pessoais também. Com escolhas conscientes toda comunicação se torna mais fácil, afinal, o leitor ou telespectador não é obrigado a adivinhar o que queremos dizer.
Conversar sobre tudo isso com os alunos e dividir conhecimentos e experiências nos ajuda a refletir sobre nosso próprio trabalho, nos mantêm mais atentos às nossas escolhas e nos lembra que uma das coisas que fez mais diferença no nosso tempo de faculdade continua valendo hoje: o importante é produzir. A Universidade é o espaço perfeito para testar ideias e produzir MUITO. É nesta época que o aluno precisa descobrir o que realmente é importante para ele e o ambiente universitário é ideal para isso. Para nós do Continuo, isso fez toda a diferença!
Abaixo coloco um pequeno estudo que fiz a caminho da última palestra, na quinta passada. Peguei minha câmera digital e fui fotografando meu trajeto para, depois, transforma-lo em quadrinhos!