Claro, é sempre bom receber dicas e entender como os outros fazem, mas é importante saber do que se apropriar dos métodos dos outros e não cair na armadilha de seguir à risca modelos prontos que acabam por engessar o trabalho, limitando-o.
Com isso em mente (e como tinha prometido), segue abaixo o meu processo de construção da página 3 da minha história!
Roteiro:
Quando comecei a escrever a história, não tinha ideia de que acabaria desenhando ela. O estilo que mais se aproximava do clima que gostaria de passar para a revista era o do Alcimar. Seu desenho é sombrio e pesado, muitas vezes "vertical". Diria que quase monolítico. Isso cairia como uma luva para representar uma força do mal quase invencível!
Depois de várias reuniões chegamos a conclusão, junto com o Alcimar, de que seu estilo seria fantástico para a história do Carlos (diga-se de passagem, o estilo do Alcimar é perfeito para qualquer história de terror!). Resolvi pegar o roteiro e desenhar eu mesmo. Como disse antes, esta era uma vontade antiga.
Se soubesse que iria desenhar a minha história desde o principio, talvez tivesse estruturado o roteiro de uma forma mais livre. Em geral, monto a página no ritmo que acho melhor e faço descrições de câmera e situação (se houver falas, coloco-as também). Procuro calcular o ritmo de leitura por quadro e por página, para facilitar o fluxo de ideias.
Sketches:Com o roteiro finalizado, projetei, junto com o editor Pedro Felicio, todas as páginas.
Referências:Além das referencias artísticas, como Paul Pope, o próprio Alcimar e o Expressionismo alemão, procurei me cercar ao MÁXIMO de referências fotográficas da cada cena. Isso facilita muito o desenho e agiliza bastante todo o processo. Também fotografei pessoas nas poses que precisava para cada quadro (agradeço muito aos senhores Bottino, Olavo e Alcimar pela paciência!).
Desenho:No computador, fiz pequenas montagens de cenários com as fotos para ter uma ideia melhor da composição dos quadros. Depois é desenhar, desenhar e desenhar!
Juntando tudo isso, nasceu a página 3 de "No canto do quarto".









