na catraca

11.14.2009

contínuo 8 - o tal "processo"

Pessoalmente não acredito muito nas tais fórmulas de "como fazer" HQ's. Acho que uma das coisas mais legais de todo o processo criativo dos quadrinhos é descobrir o SEU JEITO de contar histórias.

Claro, é sempre bom receber dicas e entender como os outros fazem, mas é importante saber do que se apropriar dos métodos dos outros e não cair na armadilha de seguir à risca modelos prontos que acabam por engessar o trabalho, limitando-o.

Com isso em mente (e como tinha prometido), segue abaixo o meu processo de construção da página 3 da minha história!

Roteiro:
Quando comecei a escrever a história, não tinha ideia de que acabaria desenhando ela. O estilo que mais se aproximava do clima que gostaria de passar para a revista era o do Alcimar. Seu desenho é sombrio e pesado, muitas vezes "vertical". Diria que quase monolítico. Isso cairia como uma luva para representar uma força do mal quase invencível!

Depois de várias reuniões chegamos a conclusão, junto com o Alcimar, de que seu estilo seria fantástico para a história do Carlos (diga-se de passagem, o estilo do Alcimar é perfeito para qualquer história de terror!). Resolvi pegar o roteiro e desenhar eu mesmo. Como disse antes, esta era uma vontade antiga.

Se soubesse que iria desenhar a minha história desde o principio, talvez tivesse estruturado o roteiro de uma forma mais livre. Em geral, monto a página no ritmo que acho melhor e faço descrições de câmera e situação (se houver falas, coloco-as também). Procuro calcular o ritmo de leitura por quadro e por página, para facilitar o fluxo de ideias. No canto do quarto - por Dalton Soares Sketches:
Com o roteiro finalizado, projetei, junto com o editor Pedro Felicio, todas as páginas. No canto do quarto - por Dalton Soares Referências:
Além das referencias artísticas, como Paul Pope, o próprio Alcimar e o Expressionismo alemão, procurei me cercar ao MÁXIMO de referências fotográficas da cada cena. Isso facilita muito o desenho e agiliza bastante todo o processo. Também fotografei pessoas nas poses que precisava para cada quadro (agradeço muito aos senhores Bottino, Olavo e Alcimar pela paciência!). No canto do quarto - por Dalton Soares Desenho:
No computador, fiz pequenas montagens de cenários com as fotos para ter uma ideia melhor da composição dos quadros. Depois é desenhar, desenhar e desenhar!
No canto do quarto - por Dalton Soares Juntando tudo isso, nasceu a página 3 de "No canto do quarto".
No canto do quarto - por Dalton Soares

11.11.2009

contínuo 8 - promo!

No canto do quarto - por Dalton Soares

10.20.2009

pequeno estudo

Rascunho direto na tablet que dá uma prévia do que virá por aí desenhado por mim n'O Contínuo 8.

10.12.2009

contínuo 8 - mais estudos!

O trabalho segue em frente, ai vão mais estudos que fiz para o Continuo 8. No meu próximo post prometo que falo do meu processo maluco de desenhar paginas! Estudos do Velho de Chapéu - por Dalton Soares Estudos do Velho de Chapéu - por Dalton Soares Estudos do jovem Marco - por Dalton Soares

10.07.2009

sobre smith - uma história inacabada



Há seis meses, quando a crise financeira vivia seu auge aqui no Brasil, o então editor de especiais do estadao.com.br Daniel Jelin (espero que esteja dando crédito à pessoa certa, caso contrário, mal aí Thiago Braga ou Daniel Lima, possíveis autores da ideia) achava que a história da crise poderia ser contada no formato quadrinhos. Como o Pedro Bottino e eu, Carlos T. Lemos, trabalhamos lá, ficamos incumbidos de tentar dar vida à história.

Eu fiquei com os roteiros, cor e programação em Flash (com a ajuda sempre preciosa da Carol Rozendo) e o Bottino com os desenhos. Todo o roteiro foi criado em cima do texto do Jelin, que havia decido o que contar dessa saga da economia real. Mas me deu liberdade para mexer no que eu achasse necessário.

Fiz então um projeto alla Scott McCloud (referência do Jelin). Mesmo que eu não ache bom nem um décimo do que as pessoas acham dele, em alguma coisa ele acerta, e ao menos quando se fala formalmente de quadrinhos na rede, ele está anos luz à frente da média. O sentido de leitura seria aberto ao interesse do leitor, e qualquer ordem em que se lesse sem repetir os quadros faria sentido (aliás, pergunta culturete mala: porque usar "quadrinhos" e não "quadros", uma vez que o conceito da palavra quadro não estipula tamanho, e o diminutivo faz com que semanticamente o conceito "quadrinho" remeta a uma arte menor?).

Mas o diabo mora ao lado, e se tem um culpado dessa ser uma obra inacabada, talvez seja eu. Me empolguei, criei personagem e fiz juízo de valores. Acabou perdendo o registro jornalístico, e apesar do Thiago Braga (o responsável pela arte do portal) e o Jelin gostarem do projeto, ficou a dúvida se aquilo deveria ser publicado. Ficou pra se discutir mais tarde.

E de repente ficou tarde demais.

A crise estava passando, o assunto esfriou, enfim. A publicação perdeu o sentido. Pedi a autorização pra publicar o material aqui na catraca. Eles aceitaram. Como faltavam algumas páginas do roteiro e a finalização de parte das páginas, ficamos eu e o Bottino de dar um jeito pra sair por aqui. Mas, sei lá. Acho que o registro inacabado tem mais sentido do que finalizado. A piada final não está lá muito de acordo com o que acredito de como o governo lidou com a crise, e passado um tempo, fica mais discrepante ainda a posição tomada, porque o Brasil foi o último país a entrar na crise e o primeiro ao sair.

O lápis azul, a cor mantida na base, onde a base foi feita, é pra mim hoje muito mais interessante. Então vale mostrar aqui o que foi feito. E agradecer a oportunidade que eles (Thiago, Jelin, Lima e Carol) deram pra trabalharmos por uma semana nisso. (Sim, isso aqui é trabalho de uma semana, corremos pra caralho).A imagem abaixo mostra a distribuição virtual das páginas. A janela só permitiria mostrar uma página por vez, e a navegação faria uma máscara no resto
Esquema das páginas

10.05.2009

highway to hell - estudos pro #8


Abrindo o baú dos processos, passo a passo de uma página d'O Contínuo 8. Cada desenhista tem sua maneira de trabalhar e proceder da idéia inicial, no roteiro, até a página finalizada. Vou mostrar um pouco da minha: A primeira imagem é um rabisco do Leiaute da página. Sempre faço isso antes de esboçar quadro a quadro. Ajuda a ter uma visão geral da página e das passagens de quadro. Depois faço um esboço rápido dos quadros, cada um no seu lugar, pra saber qual a informação que vai ali. Feito isso, faço um desenho mais detalhado, quadro a quadro. É a página a lápis, geralmente essa é a parte mais demorada, onde eu preciso pesquisar (quando necessário) referências pros cenários, personagens, detalhar os quadros, e acertar a passagem de tempo. Depois disso, minha parte preferida; o nanquim. Ofuscar o pouco de branco que sobrou na página com o preto e finalizar os desenhos. Geralmente eu faço essa parte junto com o desenho, vou meio que desenhando com o nanquim. Assim, o desenho fica mais orgânico, mais solto... Nesse Contínuo, especialmente, estou desenhando tudo, e só depois eu finalizo. Estou gostando do resultado. espero que vocês gostem também.

10.04.2009

contínuo 8 - estudos

Enfim, o protagonista da oitava edição! Estudos do protagonista da oitava edição - por Dalton Soares